E se a gravidade acabasse?

A gravidade, não há nada como um frio desagradável para fazer você apreciar a boa saúde. O mesmo vale para o universo: Ajustar apenas uma das leis ou constantes físicas fundamentais, normalmente perfeitamente “afinadas” com os valores corretos para permitir a existência de estrelas, planetas, átomos e a vida como a conhecemos, poderia transformar tudo em coisas muito diferentes – muito desagradavelmente.

Considere, por exemplo, como horrivelmente irreconhecível o universo seria se tivesse se formado com apenas três forças fundamentais em vez de quatro – se o eletromagnetismo, a interação forte e a interação fraca fossem todas exatamente como nós as conhecemos, mas a quarta força, a que reuniu um monte de pedras para formar a Terra e ainda mantém seus pés firmemente plantados no planeta, nunca tivesse existido. E se não houvesse a força da gravidade?

Imagine uma terra árida. De acordo com James Overduin, físico da Universidade de Towson em Maryland, que é especialista em gravitação, um universo sem gravidade seria “totalmente plano e inexpressivo.” Overduin explicou que a gravidade é apenas um termo para a curvatura do espaço-tempo – o quão íngreme ou superficial o tecido do universo está em um determinado lugar (e como os objetos são propensos a cair em direção à fonte de curvatura). Assim, se o universo não pode ser curvo (porque a gravidade não existe), então não pode haver nenhuma matéria ou energia dentro dele.

“Este seria um universo muito chato”, disse Overduin.

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No interesse de não ser chato, vamos considerar um cenário alternativo: E se o universo se formasse com a gravidade e se desenvolvesse normalmente até um determinado momento no espaço-tempo (agora, por exemplo) e então, de repente, a gravidade fosse “desligada”?

Vamos deixar bem claro que é absolutamente impossível manipular o valor da gravidade e muito menos desligá-la. Esse artigo trabalha somente para um entendimento hipotético do que aconteceria.

Tomando primeiramente como exemplo o nosso planeta, a atmosfera seria perdida para o espaço e, junto com ela, toda a água do planeta. Não somente a água dos oceanos, lagos, rios e mares, mas também a água de todo o corpo humano. No momento em que a gravidade fosse desligada, toda as formas de vida na Terra morreriam imediatamente, e qualquer líquido iria ferver quando fosse exposto ao vácuo do espaço.

Aos poucos, todos os nossos edifícios e árvores começaram a se desprender do solo e seriam arremessados no espaço. Os objetos dentro dos edifícios começaram a flutuar até bater no teto, enquanto as coisas fora continuariam acelerando cada vez mais.

Nosso planeta só ganhou sua forma e estrutura graças a força da gravidade. Ela mantém um equilíbrio entre a pressão interna perto do núcleo, o manto e a crosta. Em princípio, os metais fundidos no interior da Terra chegariam até a superfície. Aos poucos, a Terra começaria a se partir em infinitos pedaços, até se desintegrar totalmente.

O mesmo aconteceria com todas as coisas do universo. Em não muito tempo, tudo se transformaria em uma calmaria monótoma – as estrelas se apagariam, os planetas se despedaçariam, as galáxias se desmembrariam e o cosmo viveria em eterna escuridão – sem nenhuma estrutura remanescente.

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