O Livro de Thoth

Aleister Crowley, 1944

De acordo com a mitologia egípcia Thoth é o deus da sabedoria, senhor do tempo, da escrita, da magia e da lua. Existe uma lenda a respeito de um livro, escrito pelo próprio Thoth, contendo sua sabedoria, além de poderosos feitiços e rituais, alguns afirmam que este livro foi enterrado com a princesa Neferkaptah na Cidade dos Mortos.

Crowley que sempre foi mais cínico do que crente, quando o assunto era mitologia, adotou o nome do lendário livro para batizar uma obra que tamb´m, coincidência ou não, se tornou lendária.

O Livro de Thoth faz parte do admirável legado de Aleister Crowley. O livro nasceu de um ensaio sobre o Taro Egípcio, do Equinócio,  volume III, número 5 em meados de 1944.  Ele descreve a filosofia por trás do Tarot desenvolvido e usado por Crowley. Apesar de originalmente publicado em um número limitadíssimo de 200 cópias numeradas e assinadas pelo Mega Therion em poucos anos o jogo se tornou um dos tarot mais procurados, deixando para trás clássicos de peso, como os baralhos de Rider-Waite ou o de Marseille. As lâminas foram desenhadas pela themelita e artista plástica Lady Frieda Harris e encerram em sí, todos os ensinamentos da OTO, assim como todos os segredos iniciáticos do próprio Crowley.

Reza a lenda que o Tarot foi criado para portar em suas cartas toda a sabedoria do mundo antigo, os sábios sabiam que as pessoas tinham pouco apreço pelo conhecimento, mas teriam sempre em seus corações um lugar especial para o vício, e assim incluíram nas cartas simbolismos que um mestre saberia traduzir na sabedoria original. Como o próprio mago afirma: se isso é um fato ou não, não vem ao caso, o importante é que o tarot funciona!

Assim como Arthur Edward Waite Crowley chegou nos postos mais elevados da Ordem Hermética Golden Dawn. Em 1900 Waite, influenciado pela obra de  Eliphas Levi, já havia publicado um tarot. Mas o tarot de Crowley, explicado no livro de Thoth, traz todos os ensinamentos do Aeon de Hórus e faz uma sincera revisão nos ensinamentos da Golden Dawn, especialmente no tocante a magia sexual.

A primeira parte do livro lida especificamente com a teoria do tarot, e representa uma feroz atualização das propostas cabalísticas clássicas, ao enriquecê-las com aspectos importantes das filosofias orientais e conhecimentos científicos próprios da época, como por exemplo a Relatividade de Einstein. Na segunda parte ele trata dos Arcanos maiores passando lâmina a lâmina sobre seus significados mais importantes. A terceira e quarta parte tratam de pormenores das cartas da corte e dos arcanos menores respectivamente.

Em algumas edições o leitor é presenteado com um Apêndice focado nas correspondências importantes como os caminhos da árvore da vida e os trigramas do I-Ching e outro que trata especificamente da Arte da Divinação.

Esta obra surge em nossa lista não por ser um livro sobre tarot. De fato ao começar a estudar magia muitas pessoas sentem a necessidade de se aprofundar em uma forma oracular, seja o tarot, seja o i-ching, runas ou qualquer outro sistema. Crowley, diferente de muitos outros praticantes e autores, deixa bem claro que os oráculos não são uma forma de se ver o futuro e sim uma “máquina de meditar”, este livro se revela um ferramental para expandir a consciência  explorar campos insuspeitos da mente e da consciência.

Comprar e ler este livro no entanto não basta. É preciso ter consigo o conjunto de cartas para aprender a forma como elas interagem e desfrutar inteiramente da beleza esta obra. Este é sem dúvida o mais original e completo material já escrito sobre o jogo de Hermes. Altamente recomendado para quem quer conhecer o significado profundo dos arcanos e entender o impacto das inovações “crowleyanas” no hermetismo. E sem dúvida, um guia excelente para apreciar uma das mais belas obras de arte da história do ocultismo.

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