A ciência por trás do cheiro da morte

Em 2004, pesquisadores gregos e estadunidenses decidiram analisar o que, de fato, cria o odor singular de morte em seres humanos. A pesquisa, apesar de parecer um pouco macabra, tem grande aplicação científica, já que pode ajudar na criação de uma versão sintética do cheiro de cadáveres humanos. Isso por sua vez, poderia auxiliar adestradores a ensinar seus cães a encontrarem corpos perdidos com mais facilidade. Para se ter uma ideia, atualmente os adestradores acostumam os cães com o cheiro de cadáveres de porcos, que são os animais mais semelhantes a nós no que diz respeito aos micróbios intestinais, cabelo e teor de gordura.

Essa tarefa, no entanto, não é muito simples. Com a ajuda do Time de Identificação de Vítimas de Desastres, 452 diferentes compostos orgânicos presentes em cadáveres humanos foram isolados a partir dos gases provenientes da decomposição humana e de outros animais. O processo de eliminação, eventualmente, levou os pesquisadores a apenas oito compostos (entre eles, por exemplo, dissulfureto de dietilo e 3-metiltio-1-propanol) que estavam presentes apenas em suínos e seres humanos. Apenas cinco ésteres (como o 3-metilbutilopentanoato) que separavam os odores.

Isolar os compostos necessários para o treinamento de cães farejadores é apenas uma das partes da ciência por trás do cheiro da morte.

Na maioria dos animais, o cheiro de cadáveres da própria espécie é sinal de que há algo muito errado. Os animais que sentem tal odor logo associam a situação com a presença de um predador – exceto no caranguejo eremita. Certa vez, uma experiência realizada pelo zoólogo Mark Tran, da Universidade do Estado do Michigan, provou que, por mais macabro que isso pareça, os caranguejos eremitas se sentem animados quando sentem o cheiro de cadáveres da própria espécie. Tran relatou que possivelmente isso dá por motivos evolutivos. Muitos caranguejos dessa espécie só conseguiram sobreviver com práticas canibais. Por isso, ao perceber um cadáver da mesma espécie, eles associavam a situação com um banquete, e não com perigo.

Já para os seres humanos, o cheiro da morte de semelhantes é tão poderoso para o nosso emocional que inclusive alguns treinamentos militares utilizam o odor para ‘acostumar’ os soldados. O cheiro de morte no campo de batalha já foi documentado algumas vezes como “nauseante, avassalador, terrível e impiedoso”.

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